(Publicação na revista “O Policial” – Ano I – Cuiabá – Agosto/1980 – Págs. 58 e 59)
Em entrevista ao repórter de O Policial, o Professor Benjamim Pádua, pioneiro do ensino na região de Alta Floresta, onde trabalha na implantação das escolas da INDECO, há mais de quatro anos mostrou num enfoque bastante sucinto toda a programação cultural da região.
Sendo convocado pelo Sr. Ariosto da Riva, quatro anos atrás, e pelo filho Dr. Ludovico que é o encarregado da parte educacional, o Sr. Ariosto falou: “Olha, Benjamim, nós vamos ter uma colonização de pequenos lotes e gostaria que não ficasse um aluno sem estudo em Alta Floresta”, então imediatamente senti que no futuro seria muito pesada a carga apenas para a INDECO para a Educação. Então criamos imediatamente o binômio Estado-Indeco comprometendo-se com o Estado de no dia em que a Indeco naturalmente se retirar, ficasse o Estado com comunidades conscientes formadas para ajudar o Estado na difícil tarefa da educação. E foi iniciado o trabalho passando de vicinal em vicinal. Alta Floresta está fazendo quatro anos, eu estou exatamente aqui há quatro anos. Eu vi chegarem os primeiros caminhões, passando de família em família e auscultando todos os colonos que chegavam, chegamos à realidade das necessidades de estudos aqui em Alta Floresta.
Ariosto da Riva, um coração aberto pôs à disposição a Fundo Perdido grandes somas. Posso afirmar que enquanto junto ao Estado se conseguia um, com ele se conseguia vinte. Podemos dizer hoje que o Sr. Ariosto da Riva em termos de escolas já deve ter investido na ordem de 50 milhões de cruzeiros a Fundo Perdido... Ele diz: Eu quero dar ao colono que está vindo aqui trabalhar comigo, aquilo que muitos pais não estão podendo dar aos seus filhos. Foi então que comecei a entrar em contato com a Secretaria de Educação e Cultura – eu já pertenci no governo Pedro Pedrossian ao Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso, hoje pertenço novamente ao CEE tendo livre acesso junto às autoridades estaduais de educação. Tivemos então, imediatamente todas as promessas de apoio do então Secretário de Educação Professor Louremberg Nunes Rocha e na Delegacia de Ensino estava o Osvaldo Sobrinho que nos deram apoio total, apenas nos pedindo o seguinte: Benjamim, cuidado, não nos deixe sozinhos porque o Estado não pode arcar sozinho com todo o peso da educação. O Brasil não está ainda em condições. Então antes que você me crie um caso eu peço que no dia em que sair a INDECO fique a comunidade e é o que estamos fazendo agora a instituição de carnês livres, associações de pais e mestres. Nesta data enquanto damos esta entrevista, a Associação de pais e mestres está elegendo a sua nova diretoria para o próximo exercício. Os próprios pais estão assumindo todos os problemas administrativos financeiros laterais da escola. Porque o Governo pode fazer o quê: nos paga os professores, este ano está com grandes dificuldades, porque houve admissão em massa dos professores. A parte do concurso realizado pelo governo afetou no sentido em que nós também tivemos os nossos concursados. Hoje, de 150 professores temos 22 concursados. Isso ajudou no sentido de valorizar o professorado. Agora, o Sr. Governador com muito boa vontade está desburocratizando o processo de nomeação especialmente dos antigos e parece que vamos conseguir a nomeação de todos aqueles que já eram nomeados no ano passado por portarias passadas. Então se Deus quiser no final do primeiro semestre todos os professores devem ter recebido todos os seus honorários atrasados. E vai aqui um elogio aos professores que estão trabalhando há quatro meses sem perceber um cruzeiro. Sem fazer revolta, sem se queixarem, entendendo a situação do momento no Estado. Voltando então ao assunto do início, eu tive toda essa promessa, esse apoio do Governo do Estado. Então, imediatamente começamos a Escola Central e, naquele sistema que está sendo uma espécie de modelo novo e que vamos dizer, até seria ilegal, porque pelas nossas leis nós teríamos a parte urbana: Ginásio tradicional (Estado) e zonas rurais/Município. Nós fizemos diferente, no mesmo padrão da SINOP e COLIDER e está dando certo: uma grande escola central, coordenadores que passam através das escolas rurais, nesse momento consideradas salas de aula da mesma escola central que se deslocaram para o meio ambiente rural. Com isso nós temos uma unidade didática administrativa pedagógica: repetidos cursos de extensão para professores, muitos deles evidentemente da zona rural, que são mais carentes de conhecimentos e de títulos. Então, a gente vai completando a capacidade de seus professores e eles se sentem ligados à escola que os auxilia, não os fiscaliza apenas. Auxilia com métodos de pedagogia e, nós, podemos controlar pelas pequenas associações de pais e mestres locais, que cada escola rural tem, para cuidar de sua escola. Já no 1º ano os alunos fizeram os famosos viveiros de café, eles aprendiam com os próprios pais e mestres a fazer a preparação de muda de café e com recursos auferidos da venda dessas mudas, compraram no ano seguinte, livros, cadernos e aplicaram na própria escola. Com isso Ariosto autorizou a darmos de oito em oito km todo o material necessário ao funcionamento da escola. Hoje mudamos o sistema, damos o material e o colono a mão de obra, isso para conscientizar o colono da sua responsabilidade. Posteriormente nós daremos os professores e o colono fará a sua escola. Assim, gradativamente – primeiro nós fazíamos tudo, pois o colono não tinha nada, posteriormente ele passou a assumir essa responsabilidade. Essas escolas funcionam não apenas como escolas, mas também como centros comunitários das determinadas regiões de oito em oito km num raio de quatro km o que permite ao aluno andar apenas quatro km a pé numa estrada transitável para chegar ao local de estudo. Assim todo mundo pode estudar, pelo menos no nível de I a IV.
Com maiores possibilidades financeiras os pais que quiserem continuar os estudos dos filhos, tem na cidade a opção do ginásio completo e, hoje, por incrível que pareça, com quatro anos apenas, já temos funcionando também o 2º grau no segundo ano de funcionamento com duas grades curriculares: uma para magistério.para podermos formar os nossos professores primários e outra habilidade básica em agronomia. Para isso temos um técnico funcionando em tempo integral como temos também uma professora pedagoga – do Rio de Janeiro - que é responsável pela Coordenação da parte do magistério.