2009 - Ano de grandes realizações!!
ALTA FLORESTA
  • (Histórico registrado no livro “Mato Grosso e Seus Municípios” do Autor João Carlos Vicente Ferreira, Editora Buriti, 2001, às páginas 233 a 237).
     
    Histórico A ocupação efetiva e duradoura da região de alta Floresta veio com os programas modernos de colonização. O governo federal favoreceu eficazmente a ocupação da Amazônia mato-grossense.
    Com a colonização da região norte de Mato Grosso, a parte então pouco habitada e pouco conhecida das proximidades do Amazonas e Pará passou a ser denominada de Nortão.
    Não há maiores informações de garimpo na região nesses primeiros anos de tomada de posse moderna da terra, mas certamente faiscadores percorriam a região, que também era teatro de operações dos seringueiros provenientes das cercanias cuiabanas. Não se tem, no entanto, notícias de um movimento de maior monta. Sabe-se que o seringalista Renato Spinelli chegara à região de Peixoto de Azevedo para extração de borracha, que era levada a Rio Novo, pela empresa Erion, de Irmãos Spinelli.
    Mas Alta Floresta teria por idealizador uma personalidade individualizada, afeita ao trabalho de formar cidades – Ariosto da Riva. Este verdadeiro bandeirante enfrentou a colonização de Alta Floreta após o sucesso de Naviraí, Caarapó, Glória de Dourados e Suiá-Missú.
    O ponto de solução dos problemas colonizadores para da Riva era a experiência, a presença na colonização.
    Inicialmente Ariosto adquiriu quatrocentos mil hectares de terras de uma empresa do Rio de Janeiro, em sítio vizinho ao da futura cidade de Floresta.
    Ariosto da Riva teve idéia de se emparelhar com outros colonizadores, aproveitando-se das vantagens que o governo oferecia.
    Quanto ao projeto de colonização, dizia ele: “...a minha idéia era estabelecer uma comunidade de fazendeiros cujas colheitas pudessem ser beneficiadas na própria região, criando empregos e riqueza no coração da Amazônia; mas eu sabia que tinha que fornecer a infra-estrutura necessária para que essa comunidade pudesse realmente florescer”.
    Com ativos da família da Riva, Ariosto fundou a INDECO – Integração, Desenvolvimento e Colonização, com 12 milhões de dólares e mais um fundo de manejo de 5 milhões. O Banco do Brasil e alguns bancos privados concederam empréstimos substanciais a juros baixos e redução de taxas sobre os lucros da Indeco. Na época, esse beneficio era concedido a qualquer projeto de colonização na Amazônia.
    Ariosto via colonos acorrerem à Bacia Amazônica pelas estradas de Mato Grosso, Pará, Amazonas e Rondônia. Via que muitos povoados, a maioria instalados em terras distribuídas pelo Incra, patrocinado pelo governo, mal começavam, logo paralisavam por falta de apoio técnico e por falta de estradas secundárias para o transporte de abastecimento e de safra. Faltava a infra-estrutura de escola, hospital, serraria, armazém, oficina, etc.
    Por outro lado, Ariosto encontrava diante de si um enigma – a natureza da Amazônia, terra considerada distante, terrível. Terra de novidades não só para o entender do povo simples, mas também de técnicos e cientistas.
    Mas com as primeiras experiências realizadas avançou para a Amazônia. Em 1973, a rodovia Cuiabá-Santarém (BR 163) partia de Cuiabá em direção ao seu ponto final, Santarém, no Pará. Eram 1.700 Kms. O 9º BEC chegara ao Km 642, possibilitando à Indeco partir daí e construir a própria estrada de 147 quilômetros em direção oeste, em busca da futura sede da colonização, que seria denominada Alta Floresta.
    A meio caminho, entre o Km 642 da BR 163 e a futura Alta Floresta, junto ao Rio Teles Pires, construiu uma serraria, a fim de produzir madeira para a construção de um barco. Do outro lado do rio, abriram-se na selva cinco pistas de pouso para avião.
    A abertura da estrada marchava lenta, enfrentando gigantes árvores de angelim, mogno, castanha-do-pará, etc. A estação de chuvas de seis meses impedia o trabalho. Só em maio de 1976, três anos após o início da abertura, a estrada chegava a desmatar a primeira clareira de Alta Floresta.
    Ariosto da Riva participou vitorioso de uma licitação de compra de terras do Estado de Mato Grosso. As terras eram vendidas a preços irrisórios. Riva adquiriu quatrocentos mil hectares para colonização imediata. Naquele tempo, David Nasser – jornalista, cronista, escritor, poeta e compositor – apelidou da Riva de “o último bandeirante”, denominação sugestiva, pois as terras adquiridas embicavam mais ao norte do Estado.
    O desbravador trazia também, novidades em colonização, com a idéia de aproveitar, já no primeiro ano de estrada, uma renda provinda da coleta de frutos naturais da Amazônia, quando normalmente as colonizações passavam por período de assentamento, de despesas, antes de começar a produzir. Assim Antônio César Soares da Silva dizia que Alta Floresta veio a ser o estopim de um novo Norte do Paraná.
    Como empresa de caráter pessoal, a última palavra em tudo era do chefe. Mas, pela prática de colonizações, Riva se fazia assessorar por pessoas tarimbadas em serviços de emergência e de imprevistos.
    Os apodos altissonantes dados a Riva provinham de projeto duplo, ao mesmo tempo inovador, colonizar a Amazônia e pesquisá-la como uma esfinge, desde o primeiro dia. Para o êxito da colonização, eram necessários conhecimentos cabais da natureza local, a fim de lhe tirar o máximo de proveito. Enquanto abria passo para o estabelecimento de infra-estrutura, abria também canteiros de pesquisas agrícolas.
    Com a chegada dos primeiros trabalhadores da Indeco, aconteceu a 28 de janeiro de 1976, o primeiro nascimento da região de Alta Floresta, uma menina, filha do operador de máquinas Alfredo Conceição – o Ceará e a dª Divaneide. Neste mesmo ano, as 14:50h, do dia 19 de maio Antonio Nunes Severo Gomes, após atravessar o Rio Teles Pires no barco do Benedito Vieira da Silva, assentou o teodolito num ponto, marcando o começo de Alta Floresta. Devido ao fato, 19 de maio é o dia em que se comemora o aniversário do município.
    O primeiro morador foi Décio de Carli, que comprou a serraria de Ariosto da Riva e a transferiu para perto da cidade, chamando para Alta Floresta o pai e sete irmãos. Acabou de pagar a serraria com a venda de madeiras.
    Com a madeira desta serraria foram construídos o primeiro hospital, o hotel, a escola, o armazém, a oficina, além de uma casa para o pessoal da Indeco, com garagem e infra-estrutura necessária.
    Os colonos começaram a chegar em 1976, sendo que no dia 12 de setembro foi celebrada a primeira missa num dos alojamentos da Indeco, participando dela perto de 30 pessoas.
    A maioria dos colonos adquiriu lotes de 100 a 300 hectares. Comparando os preços de terra, o valor estipulado por Ariosto da Riva não era baixo. Mas Riva compensava os gastos de compra com uma infra-estrutura de estradas secundárias, escola, hospital, um mínimo de comércio de material de construção, de conserto de máquinas e equipamentos, sementes, fertilizantes, caminhões para transporte de produtos e outros serviços.
    Os primeiros colonos provinham quase exclusivamente do sul do Brasil.
    Além das culturas de subsistência, como feijão, arroz e milho, Alta Floresta também explorou os produtos nativos da terra, como o cacau, guaraná, castanha-do-pará e borracha.
    Em 1978, Alta Floresta apresentava 15 mil habitantes. Neste ano, mais de 1 mil garimpeiros assentaram-se nas margens do Rio Teles Pires, criando uma tensão entre a faiscagem e o trabalho da agricultura. A crise foi aumentando, acontecendo mesmo lutas. Em 1980, 10 mil garimpeiros invadiram Alta Floresta, trazendo no bojo da produção de ouro os acompanhantes garimpeiros: a prostituição, o jogo, a instabilidade da moradia, pois o garimpeiro corre sempre atrás das notícias de grandes achados, formando influência.
    A maioria maciça dos garimpeiros provinha do norte e nordeste brasileiro. Muitos agricultores abandonaram as terras pela sedução do ouro. As primeiras decepções do garimpo, principalmente as mortes e as doenças, levaram de volta alguns agricultores.
    A igreja católica tomou o partido dos agricultores, mas procurou contribuir para a solução da crise, enquanto Ariosto da Riva tentava controlar os garimpos.
    Os agricultores tentaram salvar a característica da cidade como estrutura econômica normal agrícola, evitando a azáfama garimpeira. Por outro lado, o garimpo passou a representar a economia predominante de Alta Floresta.
    Ariosto da Riva sabia que uma vitória dos garimpeiros significaria o abandono da lavoura programada, o estabelecimento de conflitos armados. Programou atrair para si os garimpos e organizá-los. Aproveitou a cheia do rio para organizar os garimpeiros, pondo um certo Benedito Baiano à testa da operação. Montada a infra-estrutura, Riva anunciou aos garimpeiros que abria mão de qualquer lucro do garimpo, desde que não invadissem terras de colonos.
    Os garimpeiros dispunham da infra-estrutura de escritório (inclusive helicóptero) e mais uma filial de Saramandaia. Seis meses depois, no entanto, um grupo de garimpeiros, originários de Itaituba, invadiu terras de colonos. Assim, nasciam Novo Planeta e Novo Satélite.
    Tal o desânimo dos colonos frente à desordem garimpeira, que Ariosto da Riva, em pessoa, teve que ir para a estrada e convencer os colonos já com a mudança em movimento, a voltarem e desistirem de rumar para o Paraná.
    Dia 11 de setembro de 1979, foi o dia da vitória dos colonos: armados de facões e enxadas, expulsaram centenas de garimpeiros. Baniram sistematicamente os lances brutais, que desfiguraram os primeiros dias de Alta Floresta.
    Coube a Wanderley Alves Pereira, hábil administrador de Alta Floresta, contornar e superar muita crise. Alta Floresta tornou-se, desde os primeiros dias de garimpo, o lugar de referência do extremo norte mato-grossense, onde se vendia mantimentos e se comprava ouro.
    Enquanto Alta Floresta se organizava produtivamente, o professor Benjamim Pádoa organizou a instalação e movimentação de escolas, formando uma rede escolar de primor.
    A energia elétrica provinha de uma caldeira de 32 toneladas adquirida da Estrada de Ferro Araraquarense. O transporte da caldeira representou um acontecimento no sertão, devido à falta de estradas.
    Olívio Telles abandonou a segurança de 14 anos de serviço na Massey Ferguson e montou uma oficina mecânica em Alta Floresta. Encheu os 180 furos do corpo da caldeira e a pôs a funcionar, aduzindo água de um poço de cinco metros de boca por um túnel de 25 metros. Por fim, 680 cavalos de força correram pelos fios.
    O Dr. Cândido Gomes Dure, médico paraguaio, formado em Curitiba, ajudado pelo bioquímico Ruy Ramos e mais uma enfermeira acompanhou a marcha dos trabalhadores, a partir das margens do Rio Teles Pires, rumo a Alta Floresta. Uma vez, depois de uma briga, um homem, após três dias inerme, foi dado como morto, e o Dr. Cândido o tratou e restituiu-lhe a vida normal. Foi o bastante para ganhar fama de curar toda doença, sem perdão, pois “ressuscitara” o morto.
    Alta Floresta cresceu rapidamente. A Lei nº 3.929, de 19 de setembro de 1977, elevou Alta Floresta a distrito no município de Aripuanã. Wanderley Alves Pereira passou a responder pela sub-prefeitura.
    No plebiscito de 11 de novembro de 1979, para saber a vontade do povo a respeito da emancipação de Alta Floresta, dos 1.813 votos, 1.667 disseram sim e 75 não. A Lei Estadual nº 4.157, de 18 de dezembro de 1979, de autoria do deputado Osvaldo Roberto Sobrinho e sancionada pelo governador Frederico Campos, criou o município de Alta Floresta.
    Artigo 1º - Fica elevado à categoria de município, com o nome de Alta Floresta o distrito do mesmo nome, criado como unidade integrante do município de Aripuanã...
    Artigo 2º - Nos termos da Lei Complementar Federal nº 01, de 01.11.1967, o município será instalado no dia 31 de janeiro de 1981, com a posse do prefeito, vice e vereadores a serem eleitos a 15 de novembro de 1980.
    O primeiro prefeito municipal nomeado pelo governador do Estado, foi o Sr. Wanderley Alves Pereira.
    Na tarde de 3 de julho de 1980, o Presidente da República João Batista Figueiredo visitou Alta Floresta. Escutou no discurso de Ariosto da Riva:
    “... se a colonização de Sinop pode orgulhar-se de colocar em funcionamento ainda em 1980 uma usina de álcool no meio do sertão e se Colíder se tornou conhecida por ter sido a colonização que mais cresceu na década passada, Alta Floresta terá o direito de se orgulhar por ter sido a cidade que em tempo recorde – apenas quatro anos – se tornou município, fato esse certamente único na história do país”.
    Anos depois outro Presidente da República visitaria o município de Alta Floresta, desta feita Fernando Collor de Mello.
    Com o correr do tempo, amainou a busca de ouro, enquanto cresceu a agropecuária e a indústria. Também cresceu o turismo, firmando-se convênios com empresas de turismo de outros países.
    Logo após a abertura de Alta Floresta, se deu a abertura de Paranaíta, Apiacás, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde.
    A região do extremo norte mato-grossense se tornou produtiva, formando-se novos núcleos urbanos.
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