ATENÇÃO PARA O PERIODO DE PUBLICAÇÃO DESTA MATÉRIA
Obs: - Ao contrário do que alguns desinformados pensam, Alta Floresta não surgiu de atividades garimpeiras. O Projeto de Colonização da INDECO S/A era emitentemente voltado para a agricultura – pequenos e médios produtores rurais.
O ouro é uma febre que já enriqueceu muita gente
(Matéria publicada na revista “O Policial” – Ano I – Cuiabá – Agosto/1980 – nº. 3 – Reportagem de Aldenor Ramalho e texto de Weller Marcos)
O viajante que chega a Alta Floresta hoje (1980), depara com dois tipos de aglomerados humanos, como se fossem duas civilizações estranhas uma ao comportamento da outra – ambas realizando um trabalho de exploração do torrão virgem das matas e florestas de uma das mais ricas e promissoras regiões da Amazônia Brasileira: são os colonos, trazidos pelos idealizadores do Projeto INDECO, para trabalhar as terras na produção dos alimentos que o país tanto carece para a sua estabilidade econômica; os outros são os garimpeiros, chegando ali, repentinamente – sem que estivessem incluídos nas perspectivas otimistas dos executores do Projeto.
Nossa reportagem, andou peregrinando pelo interior das matas, sentindo a alma de cada garimpeiro, analisando o comportamento, a vivência, a realidade e o sonho de cada um.
Tudo é incrivelmente impressionante – a imensidão dos lugares, as distâncias a percorrer, o custo das coisas que se deve usar e consumir, o lazer e a recreação, os negócios e os homens. O garimpo é muito mais realidade que sonho, na medida em que o homem se torna calculista para atingir conclusões exatas em suas expectativas. Existem as certezas das riquezas encravadas nos barrancos, das regras de todos os jogos – até o da vida. Mas, também há ilusão trazida pela ausência dos filhos, da mulher, dos amigos e da morada que ficou distante, em qualquer paragem em qualquer lugar nesse gigantesco Brasil.
Eles já foram mais de oito mil homens, um formigueiro humano, vivendo a saga da aventura num lugar sem alimentos, sem remédios, sem abrigos e muito ouro em pó. Um formigueiro humano gerando problemas. O maior deles: a fome! Hoje são menos, a influência dos garimpos de Serra Pelada ao sul do Pará, perto de Marabá esvaziou um pouco o formigueiro de Alta Floresta – mas muitos ainda ali estão, trabalhando ora em “Juruena”, ora em “Paranaíta” ou no “Peixoto Azevedo”, no “Astro”, no “Satélite” ou no “Novo Planeta”, todos garimpos de Alta Floresta. Atualmente em “Planeta” existem uns 800 homens, no “Satélite” 120, no “Juruena” apenas 50, no “Astro” 14 (já está sendo desativado) e em “Novo Mundo” de 700 a 800 garimpeiros.
Em Paranaíta, a coisa anda meio à vontade. Os garimpeiros têm regras de comportamento, de negócios e de vivência; mas, é como se fosse uma terra sem governo. Cada um tem o direito de pela força ou pela inteligência vir a ditar a sua própria norma. As barracas de moradia são provisórias, como provisória será a morada dos seus donos: uma lona, alguns troncos de árvores para amarrá-la e eis a casa. A comida feita ao relento e, no meio da mata uma mesa de troncos, vasilhas espalhadas sobre ela, restos de alimentos, latas vazias de refrigerantes e em meio a tudo uma balança para pesar o ouro, medindo o peso da aventura.
Paranaíta é um garimpo livre – os homens são tratados e conhecidos por alcunhas, geralmente designativas de suas origens: O “Ceará”, o “Pernambucano”, o “Goiano”, o “Mineiro” ou o “Baiano” e muitos outros. Também estranha é a linguagem que usam, manipulando palavras absolutamente desconhecidas do vernáculo mais tradicional. Bravo – por exemplo é o garimpeiro iniciante: Manso, é o velho, mais antigo; Grota – um ribeirão ou remanso; Grotão – um rancho; Prancheta – é a pesquisa do ouro; Queimado, Blefado – um garimpeiro sem dinheiro, sem ouro, Bamburrar – significa achar muito ouro; Sonda – é a procura do cascalho; Cuia - utensílio para lavar cascalho e ouro (geralmente de ferro); Boca de Serviço ou Barranco – lugar onde se está trabalhando; Bateia – é uma cuia maior.
Os lugares onde vão abrindo as “bocas de serviço” também recebem designações próprias, criadas do espírito de improviso e da necessidade de determinar os espaços ocupados, as regiões de domínio. Assim, em Paranaíta temos: o Baixão do Buriti; Baixão da Anta; Baixão da Fofoca; a Grota do Processo; o Baixão da Raposa, o Baixão do Ceará, a Grota do Porção, Grota do Soldado; Grota do Macaco; Grota do Fernandes; Grota do Capim; Baixão de São Joaquim; Baixão do Jabuti; Grota Rica; Grota do Relê; Baixão da Caveira; Baixão do Biotônico e Baixão dos Velhos.
O garimpeiro não tem hora para trabalhar, como o colono que acorda cedo, pára para almoçar e descansa dormindo cedo. O garimpeiro às vezes trabalha a noite inteira tirando água para bater o barranco. Para seu trabalho utilizam os mais diversos tipos de ferramentas, além da bateia – o mais tradicional e conhecido; como pás, picaretas, facão, lata de 20 litros quando o garimpo é de pouca água e Perla (motor) quando tem muita água.
Supersticiosos, criam lendas e estórias em torno da vivência, enriquecendo o folclore com fantasias atrativas e interessantes. Por exemplo acreditam que se um garimpeiro tiver relação sexual com uma mulher e deixar de tomar banho em seguida, o ouro desaparece do lugar onde estão trabalhando; se enterram cabeça de Assai, acontece a mesma coisa, e ouro só reaparece sete anos depois; outra coisa que faz muito ouro sumir é derramar óleo de comida ou petróleo – neste caso ele só reaparecerá com sabão em pó e Q boa.
Alguém que, por acaso chegar a um garimpo, vai se espantar quando ouvir a expressão “A cobra está fumando”. Não se trata naturalmente de um ofídio destraindo-se em gostosas baforadas de um Vila Rica, mas em realidade isto significa que a máquina que leva o ouro está funcionando.
No garimpo de Paranaíta – o garimpo livre – como dissemos, encontramos foi o Orestes – inexperiente pelo pouco tempo de garimpo, trabalhou dez anos derrubando madeira e operando motoserras; chegando a Alta Floresta ficou um mês trabalhando na roça – depois foi em busca da aventura do ouro e lá está até hoje.
Para a subsistência, o garimpeiro necessita de gêneros que compra caro. Para a saúde, sempre agravada com problemas de maleita, hepatite e outros males, necessita o remédio – mais caro ainda.
Sobre esse particular dos preços, conversamos com o paraibano Eliezer Lopes Carvalho – morador de Santarém, um ano com mercearia e bar em Alta Floresta – no meio do mato sua propriedade comercial é uma tosca construção de barro e estacas. Mas, tem um grande estoque, tudo, ou quase tudo que o garimpeiro precise.
Eliezer Lopes de Carvalho além de fornecer aos garimpeiros, serve refeições. Os preços que nos relacionou foram: um prato feito, chamado no garimpo de “Disco Voador”, custam 300 cruzeiros; uma lata de guaraná ou uma cerveja, 200 cruzeiros; uma lata de leite condensado, 150 cruzeiros; uma garrafa de cachaça, mil e 500 cruzeiros; uma garrafa de campari três mil cruzeiros; um Altan para matar mosquitos, 300 cruzeiros; uma lata de sardinhas (pequena), cem cruzeiros; um maço de velas, também cem cruzeiros; uma lanterna carregada com pilhas, 700 cruzeiros; um isqueiro de gás, 150 cruzeiros; um caldeirão – em média 600 a 700 cruzeiros; um pacote de sabão em pó OMO, 200 cruzeiros; um Nescafé, 250 cruzeiros; um pacote de bolachas, 100 cruzeiros.
Há que levar-se em conta que o único meio de transporte utilizado para levar até o garimpo essas mercadorias, é o avião. O avião é o automóvel, o jumento, o navio, enfim a maneira única e funcional de se transportar para o garimpo as coisas mais necessárias à sobrevivência do homem. As passagens de avião custam o seguinte: de Alta Floresta a Estância São Benedito, Hum mil cruzeiros; da Estância São Benedito até Novo Planeta, três mil cruzeiros; de Alta Floresta a Peixoto de Azevedo, três mil cruzeiros; de Alta Floresta a Cuiabá, cinco mil e quinhentos cruzeiros.
O Garimpo do Ditão
Garimpo do Ditão, que compreende os garimpos “Novo Planeta”, “Braço Norte ou Astro”, “Juruena”, “Satélite” e “Novo Mundo”, é administrado por uma empresa organizada por um antigo funcionário da INDECO, Benedito Vieira da Silva – chamado carinhosamente por todos na região de “paizinho”.
“Ditão” conta a história do seu garimpo, lembrando-se dos primeiros dias quando chegou a Alta Floresta – “Eu já sabia que existia ouro na região desde 1972. Quando foi em 1978, Marabá, Juscelino e outros vieram pesquisar. Eu trabalhava para a INDECO e sabia que colonização e garimpo são conflitantes. Em pouco tempo eram mais de 60 homens, para logo chegar a somar até 700 homens. Isto gerou um problema sério para a firma que tinha apenas objetivos de colonização. Então, a firma, considerando os prejuízos que o garimpo gerava à colonização, resolveu acabar com o garimpo. Então nós chamamos o Augusto – piloto em Santarém, que trouxe o Deuzito aqui e nós explicamos a ele, mas como os garimpeiros já haviam saído para Itaituba com o ouro conseguido aqui, correu o boato. Aí a coisa piorou. Então eu fui à região e dei um prazo de 60 dias para se retirarem da área, conversei com todo mundo, fui de barranco a barranco. Finalmente conseguindo a compreensão de todos consegui retirar todo mundo. O garimpeiro ao contrário do peão, não é revoltado, ainda mais que eu procurei ser realmente amigo de todos. Fiz toda a cobertura para eles e todo mundo saiu. Eu cheguei a ter aqui de garimpeiro 40 ou mais quilos de ouro. Como eu não tinha dinheiro para comprar aí liberei todo esse ouro para Itaituba e, os compradores do Pará compraram lá. Na época arrumei avião e mandei todo mundo pra lá. Foi então que ficou a fama e veio a avalanche de gente. Eu tinha muita mercadoria lá na região, eles invadiram tudo e saqueavam e começaram a tirar ouro. Nessa época já estavam lá dentro mais de cinco mil homens. Surgiram problemas de doenças, a cidade parou. A firma então me chamou e disse: você suporta a responsabilidade de organizar? Eu disse: agüento. Veio uma fome terrível, mais de dez ou doze dias de fome. Eu temia pela morte de muita gente. Foi então que pedi um helicóptero de Belém, fui até a clareira e desci, chamei todo mundo e falei com eles – Gente, não desespere, daqui três ou quatro dias o problema vai acabar. Mandei avião para Cuiabá para apanhar medicamento, trouxe enfermeiro e construí uma barraca de qualquer jeito – verdadeiro pioneirismo e luta de penetração. Os doentes mais graves trouxemos e internamos no hospital, os outros nós tratamos lá no mato mesmo. Os garimpeiros, passando fome, já haviam apelado para todo tipo de alimentação, comendo palmito, tudo quanto era planta da região. Foi quando chegaram os caminhões com a mercadoria que eu comprei em Santarém e Cuiabá – nosso principal fornecedor era a Casa Machado. Mais de oito mil homens comeram durante muito tempo às minhas custas, isto para mais de 45 dias. Abri as portas da Casa Machado e todo mundo tirava 400, 500, 800 mil cruzeiros para comer. Com quatro aviões joguei mercadorias na mata. Em quatro dias do mês eu joguei vinte e sete toneladas de mercadoria. Tinha 200 homens embalando mercadoria em sacos de estopadas que eram atirados na selva. Graças a Deus, de fome não morreu ninguém. O povo começou a se preocupar com a minha coragem em favorecer para os garimpeiros e só se ouvia dizer: o baiano vai quebrar, o baiano vai estourar. E eu dizia – “que estoura nada! Eu mexo é com minério, minério quando dá, dá para todo mundo comer; quando não dá só fica um na miséria que sou eu e isso não me preocupava”.
E continuava “Ditão” – “Não arrecadei nada de volta. Com 45 dias já estava com um buraco de 18 BI e meio. Só na Casa Machado eu tinha uma dívida do de 10BI. O camarada quando pegava dois, três quilos de ouro, fugia e nunca mais se ouvia falar dele. Eu estou pagando tudo. Planeta é um garimpo que já tiraram todo o ouro fácil que existia, agora vou fazer uma semimecanização para apurar o que ficou. Até o ano que vem espero recuperar isso. Quando começou a invasão de Paranaíta foi nove milhões e pouco que tomamos de prejuízo em pouco mais de 30 dias. Na segunda invasão mais cinco milhões”.
Assim, Ditão – o todo Poderoso Chefão do Garimpo de Alta Floresta vai narrando como chegou a dominar tantos homens rudes e aventureiros, organizando um garimpo que, hoje, é exemplo para muitas empresas. Tudo isso sem portar uma arma, sem andar com qualquer jagunço, sem molestar e sem ser molestado por quem quer que seja.
Entre as melhorias providenciadas pelo Sr. Benedito destaca-se a Cantina para fornecimento de Gêneros alimentícios, revistas, roupas, remédios, cigarros e tudo de que necessitam os garimpeiros que ali trabalham. Na mesma localidade funciona um serviço para compra de ouro, legalizado pelo Estado e credenciado pelas autoridades do governo Federal. Hoje, todo garimpeiro deve vender o ouro para este escritório, e o preço na época da reportagem era de 950 cruzeiros a grama, enquanto em Paranaíta – no garimpo aberto, a cotação era menor em 50 cruzeiros a grama.
Juntamente com o Aragão, que desenvolve na região competições esportivas, artísticas – na semana da nossa reportagem estavam promovendo no garimpo dois shows – Milionário e José Rico, artistas sertanejos e Lindomar Castilho: outros homens colaboraram com o Sr. Benedito. Um deles é o William, responsável pela Estância São Benedito – onde está o aeroporto – uma clareira na floresta amazônica com uma pista de 1800 metros, 60 metros de largura e duas pistas de rolagem. William explica porque resolveram instalar ali uma oficina de revisão de aviões: “ A distancia a ser percorrida pelos aviões necessitados de revisão consumia um total de 30 horas de vôo ida e volta até São José do Rio Preto. Isto somado ao combustível gasto, dá pra sustentar a oficina que atende satisfatoriamente, pois a mesma é dotada de equipamentos e ferramentas modernas. Temos as condições técnicas para atender às necessidades de revisão de nossas aeronaves. Entre elas um DC-3 adquirido pela firma para facilitar o transporte de grandes quantidades de mercadorias na época das chuvas, carregando até 3.500 kilos”. William confirma que cada aeronave faz até 10 viagens por dia levando e trazendo carga – como foi o fato acontecido no dia em que lá estivemos e presenciamos um avião trazer 400 kilos de carne consumidas pela população em poucas horas.
Além do Aragão e do William outro companheiro que ajuda o Benedito na organização do Garimpo é Francisco André, que possui garimpo industrial na Bahia e que diz – “Aqui encontrei uma organização jamais vista em garimpo algum do Brasil. Conheço muitos garimpos, mas nenhum como esse”. André Luiz diz que o Ditão está pensando em construir um hospital só para atender garimpeiros, isto porque em apenas um mês os gastos nesta área superaram a casa dos 400 mil cruzeiros. Agora o sonho é a construção de um hospital, trazer enfermeiras e médicos. Será uma Casa de Saúde com uns 10 leitos.
Quando estivemos em Novo Planeta, visitamos um dos buracos escavados pelos garimpeiros – tinha uma abertura de sete por cinco metros e uma profundidade de seis metros e meio. Ali trabalhavam quatro homens. Quatro maranhenses, antigos garimpeiros procedentes do Pará. Calculavam em tirar 500 gramas de ouro em pó, que posteriormente seria repartido a metade para o dono do buraco e os restantes 50 por cento dividido entre os quatro garimpeiros.
Um dos garimpeiros que vimos tinha no pescoço uma pepita e uma corrente de ouro maciço – a jóia continha 36 gramas de ouro. Anotamos alguns nomes: Aron Soares, Antônio da Silva, Genésio Raimundo, José Pereira, José Cardoso de Oliveira, este último fomos encontrar no interior de uma barraca – seis meses no garimpo sem nunca ter passado antes por uma experiência dessas. A família vive em Campo Grande, ele nunca mais foi em casa, tem dois filhos casados e uma filha com 19 anos. Esteve muito doente pois contraiu malária, tratou-se e conta que juntamente com seus companheiros conseguiu tirar dois quilos de ouro mas a coisa não deu muito resultado e ele só não volta para casa porque não quer chegar fracassado.
Aguinaldo Pereira Campos, maranhense de São Luis, passou por vários garimpos: no Pará, em Piranhas, Iucuiu. Tem uma casa em Itaituba e nove anos de profissão. Não conta vantagens e nem alimenta muitos sonhos.
Benedito – 21 anos, maranhense e negro, dente de ouro na arcada dentária, anéis e corrente, uma pepita pendurada no pescoço – um ano de garimpo e parece não ter lamentações a dizer.
Manoel Sales, no meio dos mosquitos, andando pela mata em percurso de até uma hora. Quer trazer os parentes, já mandou o dinheiro e espera. Não vê o dia em que eles vão chegar. Ele fala que no Peixoto e no Braço Norte o que tem muito é febre amarela. Eu pesquiso, afirma ao repórter. “De maio a maio terei uns seis quilos, mas foi só pesquisa. O ouro grosso vou tirar depois no Rio Inchumari”.
Quem chega ao Garimpo do Ditão em Alta Floresta vai encontrar numa casa tosca, feita de madeira e coberta de plástico, uma placa com a indicação de que aquilo é um cinema. É o Cine Dani, uma das casas de diversões locais. É o pouco que temos para os garimpeiros, mas representa muito se levarmos em conta o valor da diversão aqui neste ermo de floresta – diz um dos garimpeiros. O pessoal que freqüenta o cinema gosta de filme de faroeste e filme nacional. Assim da linha bang-bang ou erótico. O Cinema funciona todos os dias com lotação esgotada. Um ingresso no Cine Dani custa 100 cruzeiros.
Bem próximo ao cinema, uma casa onde funciona a única boate local. O movimento é sempre grande, dela toma conta Maria Helena – figura muito querida e conhecida popularmente como “Turca”. A casa está sempre cheia, meninas elegantes, cavalheiros que se portam como “coronéis” bebida cara e música que varia da Discoteque ao Sertanejo. Nos dias de Show, como o de Milionário e José Rico corre dinheiro como água e a felicidade é de um só tamanho. Geral, bastante coletiva.
Também o futebol é atração local, com o timão Planeta Esporte Clube se destacando como a melhor equipe da região. No dia seis de junho assistimos a uma partida de futebol entre o Planeta e o time dos garimpeiros. O juiz foi o José do Louro. No final, o marcador foi de dois tentos a um para o Planeta que jogou com Benanci, Jair Almeida, Cabeça (Eliezio), Antônio Padeiro e José Maria, Antônio Aragão, Luiz dos Anjos e Saita, Jenésio, João Gomes (Porrudo) e José (Roceiro).
Os garimpeiros marcaram através de Baixinho e os gols do Planeta foram feitos por Porrudo e José Maria. Realmente uma partida de futebol com características bastante amadorísticas, numa região onde as cenas dos grandes estádios só é vista através das revistas que vez ou outra circulam por lá trazidas pelos pilotos do William.
Para compreender Alta Floresta, para conhecer o Garimpo do Ditão, é preciso muito mais que uma viagem, muito mais que um primeiro contato com toda aquela gente que está vivendo ali. Nossa reportagem voltará ao local para buscar novos dados para a seqüência desta reportagem. É bem possível que lá já não estejam os mesmos garimpeiros, cuja vida é andar pelos caminhos para ver se encontram novas ilusões enterradas. Mas temos certeza que lá vamos encontrar o Sr. Benedito, tão otimista quanto sempre, o Aragão, o William, os pilotos que fazem com suas máquinas o verdadeiro trabalho de integração nacional, os homens destacados para a segurança do local, enfim todos os que de certa forma se tornaram nossos amigos e nos facilitaram este trabalho sobre os garimpos de Paranaíta e Planeta dos Homens em Alta Floresta.