2009 - Ano de grandes realizações!!
ALTA FLORESTA: UMA CIDADE EM PLENA SELVA AMAZÔNICA!
  • (Extraído da Revista “ALTA FLORESTA” – Edição Comemorativa de 1983 – DE&FRANCO LTDA – Promoção e Incorporação – p. 38)
     
             Jovem, vá para Alta Floresta ou Paranaíta, na região da Amazônia Legal, e cresça com a possível conquista de riqueza da região em desenvolvimento. Lá, reina em todas as bocas um manancial de otimismo, as terras ainda são acessíveis e a abundância de recursos é uma verdade palpável cujos rendimentos poderão ser alcançados com os frutos do seu trabalho. A potência agrícola antes de ser uma potência industrial, faz com que o trabalhador alta-florestense garanta a supersafra que o mundo inteiro espera das terras nobres da Amazônia.
             Aqueles que enfrentaram a selva, a malária e o clima adverso, já conquistaram seu lugar ao Sol nestes sete anos de vida, onde cada vez mais aumentam as covas de café, os muitos hectares de cacau, de guaraná, de castanhas-do-Brasil e outras plantações. A epopéia dos migrantes que ocuparam esses espaços outrora desprezados está revolucionando as diferentes frentes agrícolas e pastoris.
             No ano de 1981, em entrevista dada ao “O ESTADO DE S.PAULO”, Ariosto da Riva afirmava: “Dos vinte e cinco milhões de covas de café, só um milhão foi plantado com a ajuda dos bancos. Isto não é uma felicidade? Outro segredo de nosso trabalho: só vendemos terra para quem vem trabalhá-la”.
     
    A PARTIR DO KM 642
     
             Na Cuiabá-Santarém, a partir do quilômetro 642, a INDECO deu a primeira largada em direção a Alta Floresta, em 1974. Passado o período das chuvas, a marcha continuou e, depois de ter instalado as primeiras peças fundamentais para o empreendimento, no dia 19 de maio de 1976 a empresa colonizadora liberava as primeiras plantas para construção de casas particulares. A equipe de topógrafos desenhou o perfil de uma cidade bem planejada, onde as ruas residenciais são largas e curtas, terminando sempre numa grande área verde. Assim, as famílias não têm aquela preocupação das demais cidades em que o trânsito de automóveis é intenso em todas as ruas e deixa as crianças à mercê de acidentes automobilísticos. Entretanto, as avenidas comerciais são amplas e os automóveis transitam dentro da velocidade normal, dentro do quadrilátero bem traçado de suas inúmeras vias. Desde o início, os moradores tiveram o privilégio de ter água encanada e energia elétrica, através de poço semi-artesiano e caldeira termoelétrica, porém, hoje a SANEMAT e CEMAT já instalaram seus serviços de tratamento d’água e fornecimento de energia elétrica.
             Desde 1978, paulatinamente, instalaram-se ali os bancos Financial, do Brasil, do Amazonas, do Estado de Mato Grosso e a Caixa Econômica Federal. Se dermos uma vista d’olhos na atual lista telefônica, vamos deparar com anúncios interessantes como as Artes Gráficas União, Áudio Relógio Ltda., Bevilaqua Celso Crispim (clínica, próteses, raios X, cirurgia, atende-se com hora marcada), Boate Saramandaia Drinks, Agro Máquinas Medianeiras Ltda., Casa de Carnes Maringá Ltda., CODEP – Comercial de Derivados de Petróleo, Distribuidora dos Produtos Antártica – DISBEL, Eletrônicas, Fábrica de Sorvetes, Ferro Velho Mecânica (recondicionamento de motores, funilaria e pintura, jato de areia), Hospital Geral Alta Floresta, Imobiliárias, Institutos de Beleza, lanchonetes, magazines, metalúrgicas, mineração, ourivesarias, papelarias,  auto-escolas, táxis aéreos, companhias de viação, empresas aéreas. São mais de mil terminais de telefones.
             Os colonos são assistidos pelos técnicos da EMATER, CEPLAC, e o desmatamento é controlado pelos fiscais do IBDF. Conforme dados da Coletoria Federal, o sub-solo de Alta Floresta também é riquíssimo, uma prova disto é o movimento de garimpeiros que alugam táxis aéreos, e a extração do ouro que atinge a soma de 100 quilos mensais, em média. Num balanço realizado em abril de 1982, o total arrecadado pela Coletoria foi de 11 bilhões 230 milhões 96 mil e 25 centavos.
             Na área da pecuária, Alta Floresta já tem cadastrado um rebanho de 30 mil cabeças, além das não registradas. No entanto, é uma atividade pouco explorada, porque os colonos são mais afeitos à agricultura.
             Nos 45 mil quilômetros quadrados que é a superfície de Alta Floresta, estima-se que viva atualmente uma população de 50 mil habitantes. Seus limites geográficos são: a Leste, Colíder, Terra Nova e Cotia; a Oeste, Paranaíta, Trivelato, Bandeirantes e Apiacás. Sua gente provém de todos os Estados, mas aproximadamente 90% veio do Norte do Paraná.
     
    A HISTÓRIA DOS CASTANHAIS
     
             Pelo menos em terras de Alta Floresta, a famosa “noix do Brésil”, ou seja, a antiga castanha-do-pará, que os aborígenes chamavam de eraí, tocary, toucá, turury, yá, yuvia, é cultivada em grande escala, notadamente, na Fazenda Caiabí.
             A castanha-do-Brasil, Bertholletia Excelsa, da família das Lecythidaceas, árvore muito grande, majestosa, frondosa, nativa na Amazônia, que atinge entre 30 a 50 metros de altura e dois a quatro de diâmetro de base, cobre vastas áreas de Alta Floresta e Paranaíta. Sua casca é espessa, lenhosa, dura, de cor castanha e repleta de células resinosas, contendo em seus frutos “ouriços”, de 5 a 25 sementes, as ditas castanhas. Floresce de setembro a dezembro e frutifica em janeiro e abril.
             Trata-se de uma das mais nobres árvores frutíferas da mata amazônica, de alto valor econômico e ocupa um dos primeiros lugares na economia local, sendo solicitada para exportação pelos países da Europa, Estados Unidos, Japão e China, para emprego nas confeitarias e empresas doceiras. Delas ainda se obtém óleo amarelado, transparente, inodoro, doce e fixo, alimentar e agradável, consumido sob a forma de óleo de cozinha pelos sertanejos. Estes as degustam raladas para obter um líquido lactescente que misturam ao café e ainda são utilizados para a confecção de mingaus.
            
             Ariosto Da Riva, a princípio, fazia verdadeira doutrinação aos primeiros colonos explicando-lhes sobre o seu alto valor e futura rentabilidade, a fim de defendê-las dos machados e das serras elétricas. Hoje, técnicos empregados pela Fazenda Caiabí de “seo” Ariosto, estão fazendo pesquisas ou ensaios de cultura das castanhas, visto que seu crescimento é moroso, frutificando ao completar oito anos, mas, só aos doze atinge a produção normal de até 500 quilos por árvore. Os agrônomos estão empenhados em obter menor espaço de tempo para seu crescimento e frutificação, estão processando novos métodos de plantio. Retiram a polpa amarela da semente angulosa, regulosa, trangular, estreita e comprida, injetam hormônios e fazem a plantação experimental. O crescimento é mais rápido e, ao atingirem cerca de meio metro, recebem enxertos da borbulha, broto que nasce no topo da castanheira, a qual deverá resultar numa produção de castanhas num período de cinco anos, ao invés de oito a doze, que era comum. Na Fazenda Caiabí, há ainda máquinas manuais para o processamento da retirada da polpa sem machucá-las.
             No Amazonas, o dia 29 de abril é “Dia do Castanheiro”, quando os agricultores fazem festas e plantam novas mudas.
             O valor total da produção, em 1982, foi de 25 milhões de cruzeiros, com 250 toneladas, vendido ao preço médio de 100 mil cruzeiros cada tonelada. E prevê-se para o futuro, quando as culturas começarem a produzir, cifras astronômicas para a grandeza econômica mato-grossense.
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